31/10/2019

A qualidade do espumante brasileiro | Natália Frighetto

Natália Frighetto RS

Não é de hoje que os produtos nacionais destacam-se pela excelência. Tanto no Brasil quanto no resto do mundo, a qualidade dos espumantes é reconhecida entre consumidores e especialistas no assunto.

O avanço nos estudos sobre as regiões produtoras, os aprendizados sobre matérias-primas e os testes de variedades de uva fizeram com que cada vez mais os vinhos borbulhantes ganhassem evidência e posicionassem o Brasil como um importante polo produtor da bebida. Rótulos frutados, leves e frescos têm a cara do nosso país. Eles são a combinação perfeita para curtir na beira da praia, e têm a elegância e a longevidade que nos remetem às riquezas naturais e à alegria do povo.

Após esses avanços e reconhecimentos, surgiu, então, a necessidade do desenvolvimento das indicações geográficas, demarcando e limitando áreas, somando identidade e conceituando o terroir vitivinícola do país, que engloba características próprias de paisagem, biodiversidade, solo, topografia e clima.

É com o conhecimento de todas essas características que se constroem duas importantes nomenclaturas para o mundo do vinho: a indicação de procedência (IP) e a denominação de origem (DO). A primeira está relacionada ao nome geográfico da região de produção. Já a segunda refere-se ao produto final, apresentando normas específicas, como tipo de uva e produção por hectare.

No Rio Grande do Sul existem mais de cinco registros de indicação de procedência emitidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Compartilhamos as principais características sobre algumas regiões produtoras de espumante no Estado.

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM VALE DOS VINHEDOS
É a região localizada entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, que constituem uma área territorial de mais de 70 quilômetros quadrados. As uvas tintas cultivadas e permitidas nesta denominação de origem são merlot, cabernet sauvignon, cabernet franc, tannat e pinot noir. Entre as brancas, destacam-se chardonnay e riesling itálico. Para um rótulo levar esta nomenclatura, ele precisa ser elaborado com uvas 100% cultivadas no Vale dos Vinhedos. Para espumantes, a elaboração do vinho base precisa conter o mínimo de 60% chardonnay e/ou pinot noir (sendo permitido completar com riesling itálico).

INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA PINTO BANDEIRA
A região, que compreende os municípios de Pinto Bandeira e de Farroupilha, destaca-se pela elaboração de espumantes devido ao terroir único – o reconhecimento não é apenas nacional, mas internacional. É comum ouvir que é a “champagne brasileira” em função da similaridade de clima, evolução e longevidade com as terras nobres francesas.

As uvas para vinho tinto cultivadas são ancellotta, cabernet franc, cabernet sauvignon, merlot, pinotage, sangiovese, tannat e pinot noir. Entre as brancas, estão chardonnay, gewurztraminer, malvasia bianca, malvasia de candia, moscato branco, sauvignon blanc, moscato giallo, viognier, peverella, riesling itálico, sémillon e trebbiano. Vale ressaltar que esta indicação de procedência também tem variedades para espumante natural. São elas: chardonnay, riesling itálico, viognier e pinot noir. Para espumante mocastel: moscato branco, moscato giallo, moscatel nazareno, moscato de alexandria, malvasia de candia e malvasia bianca.

INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA FARROUPILHA
A região inclui integralmente o município de Farroupilha e pequenas áreas de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Flores da Cunha e Pinto Bandeira. É muito conhecida pela produção de moscatéis e pela qualidade dos espumantes à base de uvas moscato. Não à toa, os rótulos ganharam reconhecimento e deram início ao mapeamento e ao registro de indicação de procedência no Brasil. O diferencial das uvas está nos aromas delicados e na boa acidez que equilibra a bebida doce. Entre as variedades de uvas autorizadas, estão moscato bianco, malvasia de candia, moscato giallo, moscato de alexandria, malvasia bianca, moscato rosado e moscato de hamburgo. Além disso, dentro dessa área também pode-se elaborar vinhos brancos de moscato seco, uma ótima pedida para as tardes de verão, por serem frutados e leves.

Receba nosso conteúdo!

Digite um nome válidoDigite um nome válido
Digite um e-mail válidoDigite um e-mail válido

Cadastro efetuado com sucesso!

Erro no Cadastro!

Email já cadastrado!

Mail Chimp erro:

Tags:
RS Natália Frighetto