05/06/2015

Tudo começa pelo grão

Tatiana Tavares RS

Newtton Santos, Divulgação

Carmos de Minas/MG

Quando começamos a beber café com mais frequência e a nos interessar pelo assunto, nos tornamos mais críticos. É simples: com o paladar mais apurado, buscamos os melhores sabores. Entre os grãos brasileiros, dois deles estão no topo da lista no que se refere à produção de cafés especiais: os bourbon amarelo e vermelho. Ambos têm DNA mais puro, com mais doçura e toque mais achocolatado. Não é à toa que eles são os preferidos dos baristas.
Ainda não existem estudos científicos que demonstrem a diferença no sabor entre os bourbons vermelho e amarelo. Sabe-se, porém,
que o tipo amarelo dá um toque mais doce ao produto final. Outros fatores entram em jogo nessa equação, como o terroir da região (altitude, solo, etc.) e o manejo da plantação. Mas o que faz o bourbon amarelo estar no topo? Seu potecial genético associado
às condições do terroir brasileiro transformam esses frutos nos melhores grãos para a produção de cafés especiais, com um bom equilíbrio entre doçura e acidez. 
Dono de um dos cinco melhores terroir do mundo para café, o Brasil atrai as maiores empresas – cerca de 40% da produção mundial de está no nosso país. Entre elas, a Nespresso: 11 países fornecem grãos para que a empresa coloque em suas cápsulas, e o Brasil é o maior em volume. Dos pés de café na Serra da Mantiqueira – uma das regiões fornecedoras – às fábricas na Suíça, o caminho tem início na busca por produtores.
É lá, na Serra da Mantiqueira, especificamente em Carmo de Minas, que estão os pés de café de José Antônio Carneiro Pereira. A família do Seu Zé, como ele é conhecido por lá, comanda há quatro gerações os 52 hectares da Fazenda Serrado, dos quais, 28 hectares são de café. Seu grão mais precioso, o bourbon amarelo, ocupa 7,7 hectares de todo esse espaço. 
– Quando nasci, meu pai já plantava o bourbon amarelo – relembra Pereira.

Newtton Santos, Divulgação
A fazenda de Seu Zé exporta grãos desde 2002. Para a Nespresso, ele vende o seu bourbon amarelo. E sabe das dificuldades em produzir um fruto da qualidade que hoje ele encontra em suas terras: são cerca de quatro anos até a primeira colheita, e a
floração ocorre de duas a três vezes ao ano. Seu Zé resume sua relação com o café de uma forma simples e direta:
– Se o café sair da Fazenda Serrado, eu saio junto.

 

OS BOURBON

Variedades do café arábica, os bourbon vermelho e amarelo são muito indicados para a produção de cafés especiais. Têm aroma intenso e são ao mesmo tempo suaves. Com jeito de achocolatado, carregam um sabor adocicado. Esses grãos são muito influenciados pelo terroir, deixando-os ainda mais especiais, pois maximizam ainda mais essas catacterísticas. O fruto é mais sensível e por isso exige cuidados ainda maiores. O bourbon amarelo tem uma produção mais delicada, um dos motivos que fazem com que essa variedade tenha um preço mais elevado em relação à vermelha.

Newtton Santos, Divulgação

NÚMEROS

O consumo per capita anual de café no Brasil é de 4,89kg por habitante de café torrado e moído (6,12kg de café verde em grão), o equivalente a 81 litros por habitante

O café está presente em 98,2% dos lares brasileiros

O Brasil é o maior produtor de café do mundo (responsável por 33,6% da produção mundial) e o segundo consumidor – está apenas atrás dos EUA, mas a diferença é pequena

No país, há 274 mil produtores de café

O Brasil é o maior fornecedor de grãos para a Nespresso

A Nespresso tem como fornecedores mais de 62 mil fazendas ao redor do mundo

Fontes: Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e Nespresso

 

*A jornalista viajou a convite da Nespresso

Receba nosso conteúdo!

Digite um nome válidoDigite um nome válido
Digite um e-mail válidoDigite um e-mail válido

Cadastro efetuado com sucesso!

Erro no Cadastro!

Email já cadastrado!

Mail Chimp erro:

RS Tatiana Tavares