01/10/2014

Uma iniciante no mundo dos cafés: o relato

Juliana Palma RS

Café, para mim, nunca existiu sem açúcar. De três a quatro colheres por xícara, fosse puro ou com leite. Quando me dei conta das várias doses de calda (única palavra que se encaixa) que bebia por dia, resolvi eliminar o açúcar sem dar uma única chance ao adoçante. O começo foi torturante. Sentia arrepios a cada gole. Mas, aos poucos, fui tomando gosto pelo sabor e hoje adoro meu café purinho.

Interessada em conhecer esse novo mundo que me foi apresentado, dia desses, me inscrevi em um curso de degustação de cafés no Baden Cafés Especiais. Quem ministrou a aula foi o próprio sócio do lugar, Guert Schinke.

Era um sábado ensolarado. Cheguei lá e cerca de dez pessoas já estavam acomodadas em volta de uma mesa comprida, ouvindo as músicas dos Beatles que saíam de mansinho das caixas de som. Na frente de cada um, potinhos com pão árabe, biscoitos de polvilho e queijo parmesão, ingredientes que limpam o paladar. Além das comidinhas, duas folhas com instruções, categorias de classificação e dicas de classificação de aromas e sabores.

Até aí, tudo bem.

Enquanto esperávamos um casal, fiquei prestando atenção em conversas alheias e descobri que entre meus colegas estavam tanto grandes conhecedores de café quanto grandes leigos como eu. Resolvi dar uma olhada nas folhinhas que foram colocadas na minha frente. Uma delas me pedia para identificar o aroma do café, o sabor, a acidez, o corpo, a doçura... Oi? Como assim doçura? Café puro é doce desde quando? Antes de me desesperar, respirei fundo e aguardei os próximos passos da degustação.

Primeiro, sentíamos o aroma do café em grãos. Depois, o aroma do café moído. Em seguida, era a vez da bebida. Enquanto sentíamos aroma, sabor e outros quesitos, devíamos preencher na tabela as nossas impressões.

Comecei a me ver em apuros quando só identificava aroma e sabor de... café! Aflita, ouvia comentários do tipo: "Hum, esse tem aroma de fumaça" ou "Ok, esse tem sabor de mel e castanhas". Por cima do ombro, espiei a folha do colega que estava ao meu lado e li impressões como: "aroma de flores" e "sabor de ameixa".

O quê?

Me senti um pouquinho melhor quando percebi que a moça que estava na minha frente estava mais perdida que eu. E ainda comentou baixinho para quem conseguisse ouvir que estava odiando beber café sem adoçante.

Bom, pelo menos eu estava gostando.

Ao todo, experimentamos cinco cafés, às escuras. Tentei do jeito que pude apurar meu olfato e paladar, mas o máximo que identifiquei foram  notas de caramelo, chocolate e algo mais amargo que pode entrar na categoria "defumados".

Ao final de tudo - nesse momento eu já estava coffee high -, Guert nos apresentou os tipos de cafés experimentados, e os sabores que deveríamos ter sentido. Obviamente, errei vários, mas ter acertado alguns já fez valer toda a experiência. Além de ter aprendido mais sobre o mundo dos cafés do que o tradicional amargo/doce.

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