20/02/2019

Uma noite de degustação vertical com o enólogo da Almaviva

Natália Frighetto RS

Tive o grande prazer de ser convidada para o lançamento brasileiro do vinho Almaviva 2016, um dos mais icônicos do Chile. A certeza de qualidade, que precede todo gole de Almaviva, já tornava o convite especial. Mas a presença do enólogo Michel Friou, o criador do vinho,  o tornava irrecusável. O evento aconteceu nesta terça (19) no restaurante Peppo, em Porto Alegre, e eu conto aí abaixo todos os detalhes.

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Antes que todo mundo começasse a beber e perder o foco, Michel fez uma introdução sobre a marca.  O projeto do vinho Almaviva, uma produção franco-chilena, é de 1997. A Baronesa Philippine de Rothschild e o presidente da Concha y Toro criaram um acordo para elaborar um vínho icônico, com conceito de Châteaux, onde se produz um único rótulo e sempre buscando a excelência do produto, em uma fusão de viticultura, enologia, solo e clima.

Michel também reforçou a essência do rótulo. Todas as safras utilizam o mesmo rótulo, trocando apenas o ano de elaboração do vinho.  Além disso, mostra a cultura dos dois lugares: o nome, por mais que soe chileno, é uma referência à comédia francesa Fígaro de Beaumarchais, eternizada na ópera de Mozart. A letra cursiva é semelhante ao manuscrito do autor. Já o lado chileno está expresso no logotipo, onde o símbolo faz referência aos indígenas, lembrando um  tambor "kultrun". Os semicírculos são os ventos, e os pontos cardeais e os pontos centrais, as estações do ano.

Mas vamos ao vinho.  Michel começou a apresentar a safra 2016, que era a do lançamento. Comentou que não foi um ano fácil, onde tiveram 100mm de chuva em plena época de colheita, algo inusitado já que essa região tem precipitação média de 200mm ao ano. Como enólga, entendi bem o drama que ele queria compartilhar e fui escutando com entusiasmo.

A solução foi uma colheita antecipada, para deixar o vinho mais fresco,  e menos tempo de passagem por madeira. Além disso, nessa edição não tem a variedade Merlot na composição. Depois, hora de degustar e comprovar que a chuva inesperada não influenciou em nada na qualidade. Degustamos, comentamos e a conclusão foi que pode trazer para o Brasil porque vai ter muita saída. Um vinho mais breve e com álcool um pouco mais baixo do que o normal, muito relativo da safra.

Serviram mais a nossa taça e junto Insalata Alla Salsa di Senape, com folhas,  bastante parmesão, mostarda e mel para acompanhar. Continuamos o papo e PÁ! ... o Michel trouxe outras safras do Almaviva, ou seja, teríamos uma degustação vertical apresentada pelo enólogo, contando tudo pra gente. Degustação vertical é o nome que se dá quando desgustamos o mesmo rótulo, porém de safras diferentes.

Nossa segunda taça foi servida com o Almaviva 2015. Esse mesmo, o vinho eleito como melhor daquele ano pelo crítico de vinhos americano James Suckling. Michel, orgulhoso, ainda ressaltou que a safra foi normal, com bastante produção de uva e com bagas maiores, ou seja, menos casca em relação ao sumo da uva, taninos macios e doces, além de aromas de especiarias e um sabor inigualável e muito equilibrado.

Depois de alcalmar o coração de tanta emoção, chegou o Ravioli di Rucula e Uvetta com molho de funghi seco, damasco e conhaque.

Por fim, quase satisfeitas, ainda serviram o Almaviva 2009, uma safra mais normal, com maturação mais precoce, o que gerou um vinho mais elegante e fino.  A assemblage é elaborada, com um percentual maior de Cabernet Sauvignon, apresentando aromas fruta madura como amora e delicadez dos taninos ainda bem presentes, como destacou o enólogo.

Para hamonizar com esse clássico, Madaglioni Alegro: medalhões de filé ao molho de funghi e porcini flambado com whisky, acompanhado de risoto de amêndoas.

Enquanto conversávamos após o jantar, Michel lembrou que o Cabernet Sauvignon é o coração do Almaviva, e as demais variedades Carmenère, Cabernet Franc, Merlot e Petit Verdot ajudam na composição do vinho. Cada safra uma assemblage nova, tudo na busca do vinho perfeito. O destaque é o uso das barricas de carvalho, todas elas de carvalho francês, e 80% das barricas são de primeiro uso. Uma nobreza que contribui para a excelência do produto. Para finalizar, a produção de 68 hectares gera uma média de 180 mil garrafas por ano, o que nos deixa tranquilas e serenas que teremos outras oportunidade de degustar os ícones chilenos vendidos no mundo todo.

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