17/09/2013

A incrível experiência do Pony Line & Elena RestauranteAR

Amanda Mormito

Tem gente que diz que dinheiro não compra felicidade. É verdade, a gente precisa de pouco para ser feliz mas, infelizmente, há coisas que só o dinheiro compra. Experiências incríveis com altos níveis de degustação gastronômica é uma delas. Não dá para gastar 200 e poucos reais a cada jantar que você vai, e se você gasta, amém, sorte sua. Por isso, o Elena já era algo meio longe para mim. Primeiro porque sabia que era caro e segundo porque sabia que indo uma vez, iria querer voltar.

E aqui a gente brinca também com a primeira impressão é a que fica: logo na entrada eu me apaixonei pela seriedade dos logos incrustados nas portas. O Elena fica dentro do luxuoso hotel da rede Four Seasons. Só que antes do Elena você passa pelo Pony Line Bar. Uma espécie de pré-Elena. Entende?

O Pony tem um quê meio de pólo. Argentinos amam ir ao jockey, acho isso legal. E ainda que pareça louco, não é algo inatingível como parece ser, aqui o hipódromo é aberto e tem muitas opções de comidas boas, mas isso fica para outro post.

Enfim, o Pony é um bar meio inovador na cidade, porque justamente traz à tona essa onda meio campo que ficou esquecida nas últimas inaugurações por aqui. Porque a essência do argentino mesmo é a carne, o mate, esse ''gauches'' que todo mundo ama.

Mas, para ser gaucho, não necessariamente você tem que ser rústico. O Pony está aí para provar que no meio de tudo isso está o luxo das famílias que vivem desse esporte e dos campos que florecem a cada pampa da região. Com toda essa influência campesina, o primeiro trago foi um mate meio alcoólico que eu amo. Tereré chamado aqui. Vinha com uma jarra com rum, laranja e tangerina. Pronta para ''cebar''. Sucesso total e fiquei muito viciada nessa versão.

E ainda rolou um trago com lavanda, amo lavanda. Vinha com licor de Mendoza, laranja, limão, e lavanda, claro. Forte, desses que você toma e no final parece que tomou cinco doses. E já era hora de comer. Dizem que o Pony é o pré-Elena. Que não dá para ir ao Elena sem antes passar por lá, e é verdade. 

O Elena fica passando pelo Pony...

... Passando também pela cozinha fria. Você sente que invade o backstage do hotel, ainda que seja tudo armado.

E quando viu dá de cara com o luxo do local.

E com a parrilla aberta para bons olhos do restaurante.

Sem falar no refrigerador que abriga carnes por não sei quanto tempo ali dentro. É tanta informação no começo que você não sabe como processar.

Eu entendi que o ambiente era uma das antigas ruas do bairro clássico de San Telmo, e que a cozinha vinha dessa coisa de comer bem sem misturar frescurites gastronômicas. Mas, mesmo assim, tudo era tão perfeito que fiquei com medo de comer flores.

Mentira, mesas fartas era a única coisa que eu via. Misturado com carnes suculentas e gente se esbanjando naquela velha frase: mais simples é mais gostoso.

Ainda que as mesas postas expressassem ares finos, tudo ali era rústico aos meus olhos.

Rústico e delicioso. O Malbec Catena Zapata que pedimos era forte e amargo no final, com toques que amarram no paladar como um vinho digno dessa bodega faz.

A primeira entrada vinha com ovo e uma senhora bruschetta com presunto de Parma. Simples e incrível.

Segunda, ficamos por conta da clássica burrata. Maravilhosa e ainda casava bem com o vinho.

Para completar a onda de campo, eu fui logo de cordeiro. Com um risoto maravilhoso. As carnes aqui são envelhecidas, portanto tem que provar. Ok?

E fugimos do tradicional provando um cabrito. De cortar com a colher, de desmanchar na boca, com creme de milho na base. 

Sem espaço para mais, ainda rolou sobremesa. Elena é meio bipolar, então o menu é metade tradicional com crêpes, pudins e bolos. E outra metade é a Dolce Morte, cheia de sorvetes caseiros. Chamou tanta atenção o nome que o trio degustação veio logo em seguida: chocolate puro com zero açúcar e de uma consistência inatingível por humanos, com um de creme de avelãs que fácil é meu preferido na cidade e outro de iogurte que quebra com qualquer doçura que você possa imaginar.

E a parte clássica ficou pelo selva negra: creme de baunilha com porções de massa úmida de chocolate quente por dentro, com pedaços de cereja (de verdade) e molhinho de framboesa. Não tem como ser ruim, né? Ok, não tem.

O Pony e o Elena combinam tanta riqueza de sabores juntos que nem que eu ficasse três anos aqui comentando sobre essa loucura gastromômica eu seria capaz de traduzir em palavras essa viagem. O simples é mais gostoso ou a volta dos produtos clássicos resumem bem o que o Elena quer passar: nada de frescurites ou mimimis. A alta gastronomia também pode ter detalhes simples e cotidianidades ao alcance de todos, desde que sejam feitas com esmero. A conta? 550 pesos por pessoa. Mas isso não tem preço.

Pony Line/ Elena Restaurante
Posadas, 1086 - Recoleta
Buenos Aires/Argentina
Fone: (11) 4321-1200
Aceita todos os cartões
www.fourseasons.com

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