10/07/2012

Chez H'Anna e a street food do MaraisFree Pass

Diogo Carvalho
Não há nada nesse mundo que seja melhor e mais prazeroso de comer ao prato do que com as mãos. Tipo, o pastel: bota o pobre bichinho no prato empunhando garfo e faca, mira e faz uma incisão bandida separando três quartos da criatura num corte absolutamente simétrico. Gente, pára tudo, que coisa mais irritante! Não é assim. Isso que nem vou entrar no mérito do cachorro quente, do sanduba, do hambúrguer, do burrito nem do bife à milanesa frio (sim, me deixa...). 

E foi aproveitando essa filosofia da vida real sob o ponto de vista da street food que me vi em êxtase quando a Re propôs uma caminhada pelo Marais , um dos tantos bairros históricos de Paris e que hoje é habitado predominantemente por judeus, frequentado por uma galera bem jovem e, por conta disso, onde a boemia impera.
Gosto muito de comparações porque assim facilita a minha compreensão sobre as coisas e é uma forma de transmitir direitinho o significado/importância/representatividade de lugares. Nessas, meio que comparo o Marais com o SoHo em NY, Palermo em Buenos Aires, Mitte em Berlim, Ipanema no Rio, Born em Barcelona, Mayfair em Londres... entendeu o espírito?
A ideia era caminhar pelas ruelas, analisar oportunidades que eventualmente despertassem nosso espírito consumista e passar pela Place des Vosges. Aí, unimos a fome com a vontade de comer e (lembra do início do post, daquele papo de comida que se come com as mãos?) escolhemos um muquifo de Fallafel para sermos felizes!
O foco era o tal do L'As du Fallafel , tido como o todo poderoso do Marais , onde pessoas como Lenny Kravitz fazem um after hour na madrugada parisiense (tem colado um caminhão de reportagens sobre isso na frente da casa mesmo!). Só que tava fechado sabe-se por qual motivo.

Daí lembrei imediatamente de um texto da Roberta Sudbrack falando sobre os lugares imperdíveis dela em Paris, onde dizia mais ou menos que se o L'As du Fallafel era o queridinho da galera descolada, o Chez H'Anna era o cantinho preferido da galera old school que não dá um passo sem saber direito onde tá indo.
Pronto, Chez H'Anna cá estamos nós. Só que não sentadinho com cara de comportado lá dentro não, porque daí o Kebab vem empratado. No way é tia, perde toda a graça da piada. Na mão, só se pedir no balcãozinho da rua.

Aguarde de forma distinta na fila que se forma em frente em balcão, e espere pela sua vez. É simples, não requer prática nem tampouco habilidade. Basta saber o pedido, ter o troco à mão e estar preparado para sujar a roupa.

Cardápio? Ah, não tem moço. Quem vem aqui meio que já sabe o que pedir, então tem que decorar o nome das iguarias e pronto. Mas dá pra colar rapidinho lendo a "ficha técnica" dos blockbusters da casa na parede ao lado do balcão. 
Foi assim, lendo meio no impulso que eu escolhi o meu. Na verdade o que gritou mais foi o preço, que geralmente entrega o mais cheio de frescura, ou no caso de junk food, o maior. Apostando nisso, recebi o Shawarma, que é o fallafel com tiras de carne, além de todos aqueles condimentos que são meio padrão nos demais (salada, houmous, ...). 
Não tem como não amar. Não faz sentido usar o garfo. E não tem como não se sujar. Foi graças à construção desse cenário que a Re declinou do convite e reinei absoluto, comendo com as mãos sentado na calçada (dessa forma sujei só o pé direito do tênis com um pouco de salada), vendo a vida passar e sendo feliz por 7,50 euros.

Chez H'Anna
54 Rue des Rosiers - Marais
Paris - França
Fone: 01 42 74 74 99
Aceitam todos os cartões

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