10/06/2010

Churrascaria Porto Belo: onde menos é maisRS

Diogo Carvalho

ATENÇÃO! Este texto é sobre uma experiência gastronômica de 2010, então valores e pratos podem ter mudado desde então :) 

Por mais que não pareça, Porto Alegre não tem tantas churrascarias quanto deveria. Tipo, o ideal seria que às tivessemos na mesma proporção que Sampa tem de pizzarias, que o Rio tem de botequins e que Caxias tem de galeterias. Pra piorar, acabamos nos restringindo a um grupinho de três ou quatro somente, e vivemos intercalando-as. É uma pena, e também pena maior porque algumas descambaram para um lado faz-tudo, servindo sushis, massas, grelhados e etc, descaractarizando conceito e jogando a tradição na privada.

Daí lembrei esses dias que umas três encarnações atrás o Fábio Ruaro me levou pra comer na Porto Belo, e que eu tinha me amarrado. Nem tanto pela excelência de cortes ou pela decoração, que de fato são absolutamente normais, pra não dizer simplórias. Lembra muito aquelas churrascarias de beira de estrada, com um salão espaçoso apinhado de gente e uns televisores espalhados transmitindo Globo Esporte, mas tudo na elegância.

Fora que tem o charme todo das mesas comunitárias, que são praticamente a coluna vertebral da Porto Belo. É um lugar sem frescuras. Acho até que "sem frescuras" descreve com muita perfeição a Porto Belo. Repara bem na foto abaixo que você terá no mínimo uns 3 exemplos de "sem frescuras". Deposite suas sugestões na caixa de comentários.

Bom, nada mais justo do que voltar com o próprio Fábio mais o Geraldo Figueras, nosso querido In Spirits. Aguardamos um dia onde estivessemos matando cachorro à grito de tanta fome, e nos tocamos pra lá sonhando com aquela salada de maionese que não saia da minha memória.

Desde a vez passada, pouquíssimas coisas mudaram. Eles seguem servindo vazio, costela, maminha, coração de galinha, lombinho, polenta e salada (e enquanto não juntarmos os talheres e afastarmos o prato 30 centímetros pra frente, eles não páram de servir) por módicos 14 reais. Não, como vocês puderam ver, não tem picanha mesmo, porque tá caro o kilo né filhão. Mas uma coisa que notei ter mudado - e pra melhor! - foi a contratação de peso da Coca-Cola de vidro.

A vida da Porto Belo é uma cozinha aberta. Eles não tem nada pra esconder de ninguém, e fazem questão de deixar bem claro isso. Lá, "ser baratex e só servir cortes populares" não é sinônimo de "ruim e indigesto".

A orgia começa por um set de saladas e polentinha frita. Nada daquela frescura de "ilha de saladas", com kani, palmitos e trocentos tipos de queijo. É salada roots. Tem alfacinha, aquela cebolinha em conserva muito tradiça, e a maionese mais genial da parada, que fica ali-ali com a do Nonno Mio. Sério mesmo, ela é emblemática.

Junto do set de saladas vem a polentinha frita. Papel e caneta na mão? Anota aí então: pesque uma ainda bem quente, faça um corte na lateral, abrindo-a como se fosse um sanduba recheie com bastante queijo ralado, e feche tudo novamente. Abração.

Em seguida, começa o baile no salão. É costela pra cá, farofa pra lá, salsichão pra cá, coraçãozinho pra lá, vazio, lombinho... respira, toma uma coca, dá uma caminhada e vem denovo. Galetinho pra cá, maminha pra lá, daí dá um repique no vazio que tá divino, reforça com mais uma colherada sortida de maionese (que misturada com a farofa e o molhinho da carne, fica melhor ainda) e finaliza com a última costela, só pra garantir.

O bom disso é que o cara nem vê o tempo passar. Garfo e faca nas mãos, e olho na tv. E como mensagens subliminares são tudo nessa vida, nada como um sutil "não trabalhamos com nenhum tipo de cartão", logo abaixo da telinha. Portanto, ou traz dimdim, ou lava prato, mano.

Agora, a cereja do bolo mesmo, não é o fato de não trabalharem com picanha, nem a maionese mágica. Eu duvido que você, alguma vez na vida, já tenha ido a um lugar mais honesto, objetivo, sincero e pragmático do que a Porto Belo, que faz questão de esclarecer para os espertalhões de plantão que, depois de comer até morrer, ainda tinham coragem de dizer: "amigão, não consegui comer tudo... dá pra embrulhar esse restinho aqui pro meu cachorro?".

Acabei me dando conta que, depois de ter ido essas duas vezes lá, ainda não consegui descobrir o que tem de sobremesa. Nunca tive forças pra pesquisar esse detalhe, por motivos óbvios. Mas se não estou enganado, deve ter lá uma daqueles freezeres horizontais com picolés e tortas geladas industrializadas. Se não tem, erro meu. Mas fica a dica, porque tem tudo a ver né?!

Aquela sequencia maluca de vazio, maminha, costela, lombinho, galeto, salsichão, coração de galinha e salada sai por 14 pila por pessoa. Só que isso tudo não desce sem molhar o bico. Então o espetão corrido com mais uma ou duas cocas sai por módicos 21 reais por pessoa. Pra comer até morrer, mas sem pedir pra embrulhar pro rex. Tem como não amar?

Churrascaria Porto Belo 
Rua São Manoel, 1400  - Santana
Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3217-9853
Não trabalha com NENHUM tipo de cartão

 

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