01/11/2013

Dame más de DadáAR

Amanda Mormito

Confesso que frequentar muitos restaurantes te fazem ser mais chatinha a médio prazo. Eu ainda não consigo ver a parte chata disso – acredito que não exista. A parte boa é que quando um lugar realmente chama a atenção pela comida, é porque o negócio é bom mesmo. A minha última descoberta gastronômica em Buenos Aires foi no Elena Restaurante que eu coloquei aqui há um tempo, e jurei que depois daquilo meu nível tinha subido tanto que ficaria difícil comer em qualquer lugar. Acredito que meus instintos levaram isso tão a sério que não errei quando um dia cheguei cedo demais ao Dill & Drinks que estava lotado e eu decidi atravessar a rua para visitar uma amiga que trabalha no Dadá. Y gracias a los cielos que eu tenho amigos.

Tanto fez que tanto fez que entrei no Dadá e de cara me apaixonei pelo lugar. Ok, é super pequeno e lotadasso de gente, mas nossa quanta animação dentro de um espaço só. Incrível.

Minha amiga insistiu e acabei reservando uma mesa para uma jantinha sem muitas pretensões entre quatro amigas. En la barra. Assim a gente teria uma visão melhor do funcionamento do lugar.

Uma coisa que chamou minha atenção foi a quantidade de homem por lá. Muitos sozinhos comendo na barra mesmo, vi uma menina só. Enfim, observações à parte, o ambiente é tão acolhedor que qualquer pessoa se sente em casa e acolhido por lá.

As paredes escuras em tons avermelhados dão a sensação de que está sempre quentinho lá dentro. Ou seja, no verão o negócio vai explotar – como dizem os locais.

O décor é meio que um amontoado de coisas que, para mim, faz todo o sentido para a equipe que trabalha lá. Tem um pouco de tudo: desde objetos vintage e Coca Colas antigas, até fotos da equipe.

Juro que todo esse ambiente me fez sentir por um momento num barzinho de uma cidade de interior à beira-mar que serve queijos, foundues e etc. Acho que eu não estava tão errada na minha teoria, mas isso eu explico no final do post.

De boas vindas uma paneira com pães super quentinhos. Tentei até tirar uma foto da fumaça que saia deles, mas não consegui.

Sabia que o bistrô tinha uns drinks bons, e começamos com um Bellini. Que nada mais é que champagne, com açúcar na boca da taça, misturado com suco de maracujá. Sem segredos, não tinha como ser ruim e era algo bem menininha. Acertamos em cheio na escolha, ótimo para abrir o apetite.

Depois, o nosso atendente-barman da noite nos trouxe o cardápio com as escolhas do dia. O Dadá tem um menu fixo e também um que varia segundo os produtos frescos da semana. 

Mas fomos espertas e atacamos só de sugestões. Ninguém melhor que o dono do local e a equipe para nos dizer o que era melhor comer, né? Fomos de várias entradinhas. A primeira, uma polenta grelhada com cogumelos e queijo parmesão. Juro que não sei direito explicar o sabor porque a minha concepção de polenta so far era a caseira da minha avó – que por sinal é muito boa. Mas essa daqui é tão delícia que a textura desmanchava na boca. Ignorei até a fumacinha que saía do prato e quase chorei pela temperatura, bem boba.

A segunda entrada foi um homus para comer acompanhado de pães fininhos do estilo árabe banhados no azeite de oliva. Típica daquela comida que, mesmo sem fome, você come tudo. E se ninguém tira o prato de perto você pega os pães que sobram e limpa o prato de homus que é pra voltar limpinho para a cozinha. Classe, onde está você?

Nossa terceira entrada foi, assim, o prato que eu mais amei provar nos últimos meses, sendo ele a razão pela qual eu aqui confirmo a hipótese de que não há nada de errado em se tornar chatinha porque ando saindo muito para comer. E também foi um prato que zerou minha vida gastronômica no sentido de que comida simples é vida.

Não falei ainda o que era né? O bendito era nada mais e nada menos que morbier, envolvido numa massa fina com geleia de cebola e verdes. Morbier é um queijo francês macio que no prato estava cumprindo a função de recheio numa massa tão fininha que desmontou sozinha quando cortamos. Era tão simples, mas tão genial, tão incrível que entre quatro meninas a gente não falou nada mais enquanto comia essa entradinha.

Difícil mesmo foi decidir um principal depois do morbier. Mas fomos corajosas e entramos em um consenso, pedimos ravioli caseiros recheados de abóboras e amêndoas. Pensamos, de verdade, que iríamos sair de lá afundadas no carboidrato e etc. Mas essa massa foi mais levinha do que havíamos imaginado e foi um sucesso entre todas nós. 

Como a ideia era curtir um pouco mais o lugar, resolvemos pedir mais um drink. Não sei como se chamava esse, mas continha pêssego, outro suco e vodca. Bem levinho.

Levinho e um empujón para quebrar a estrutura e pedir uma das sobremesas mais gordas do cardápio: suflê de doce de leite com sorvete de creme. INCRÍVEL. Parecíamos umas desesperadas por doce quando ele chegou à mesa, e depois concordamos que deveríamos ter pedido, no mínimo, dois. Nossa vida zerou ali.

E estava tudo tão bom e meu nível alcoólico tinha subido um pouco que me lembrei num supetão porque eu achei que estava em um bar de cidade do interior, à beira-mar. O dono do Dadá é a cara do Jack Porter (da série Revenge) que tem um bar que é a cara do Dadá, o Stowaway. Ok, sei que parece meio série-maníaca e meio borracho dizer isso, pero es la verdad. Tudo fez sentido.

Na barra nos convidaram depois para um shot de Malbec com frutos vermelhos. Coroando a noite com um shot que poderia ser um drink que durasse a noite inteira.

Afinal, o Dadá é pura festa depois do jantar.

A conta ficou em 565 pesos para quatro pessoas. E eu deveria escolher uma frase para terminar esse post, e lá vai: estoy enamorada de Dadá. 

Dadá
San Martín 941 - Retiro
Buenos Aires/Argentina
Fone: (11) 4314-4787
Aceita todos os cartões

Receba nosso conteúdo!

Digite um nome válidoDigite um nome válido
Digite um e-mail válidoDigite um e-mail válido

Cadastro efetuado com sucesso!

Erro no Cadastro!

Email já cadastrado!

Mail Chimp erro:

SP Amanda Mormito