06/12/2019

La Ciau del Tornavento: o dia que almocei numa estrela Michelin | Treiso

Natália Frighetto

O QUE É: um restaurante com Estrela Michelin e com uma das adegas mais valiosas do mundo
IDEAL PARA: ter uma experiência incrível regada a bons vinhos e ótima comida
PROVAMOS E RECOMENDAMOS: menu degustação (90 €), vinhos à parte

Recentemente estive nas belezas do Piemonte, na Itália. De um lado, os alpes suiços, de outro, vinhedo e ainda por cima as cidades tem aroma de avelã pela proximidade da fábrica da Ferrero Rocher.

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Na manhã de sábado de sol, paisagens com neve e aquele frio gostoso de sentir, estive no centro de Barbaresco, cidadezinha que Gaia (pequeno e grande produtor de vinho) colocou no mapa. Com a névoa matinal que dá o nome da variedade de uva ícone da região, a Nebbiolo, sentada na torre e admirando a vista, descubro que irei almoçar no Ciau del Tornavento, um restaurante possui uma estrela michelin e uma das mais valiosas adegas do mundo, na hora fiquei em choque e pensei: Cresci na vida!

Depois de umas tacinhas de Nebbiolo, hora de se deslocar até a diminuta cidade de Treiso, onde encotrei a praça,  a igreja e o restaurante na mesma quadra. O restaurante é bem central e charmoso.  


Ao entrar, dois pontos fortes: a vista do restaurante, montanhas e neve ao fundo que pede uns minutos para admirar e, posteriormente, o acolhimento. Uma recepção preocupada com o conforto do cliente, mostrando onde ficava os cabides para os casacos, direcionando os clientes para o Sommelier responsável e, depois os mesmos acompanham até a mesa para explicar como seria o serviço.


Ao chegar na rica mesa com arranjos de tulipas, um espumante nos esperando.  Não sou muito de menu degustação (90 €), mas abri excessão para esse dia tão especial. Ao chegarmos na nossa mesa, sommelier e maitre explicaram como seria a sequência, além de iniciar o serviço com água. Para quem tomava água natural (sem gás), um adesivo identificando para evitar essa pergunta novamente caso trocasse a equipe.  Depois, a apresentação do menu e sua harmonização, sendo que anunciaram um Barolo 2009 para esse momento que já estava se tornando inesquecivel.

Mas, ainda estávamos no espumante, um milèssime safra 2013, com as uvas chardonnay e pinot noir, estruturado e fresco para as boas-vindas.  Mas, como bons italianos, não se pode beber sem comer, em seguinda chegaram os canapés: salmão defumado, nozes com damasco, tartare de vitela e creme de cogumelos com folhado de creme azedo. De encantar os olhos.

Enquanto nos deliciávamos com tantas gostosuras, as taças permaneciam sempre cheias, na medida certa e mantendo a temperatura do espumante. Ao mesmo tempo que aproveitava o momento, observava o ballet dos garçons, muito bem orientados e alinhados com o sommelier, e pensei: rica profissão essa que é uma das minhas, fazer com que os clientes sejam bem atendidos, bem servidos, além de comer e beber bem.

Fim da nostalgia, hora da segunda entrada empratada: típico piemontês, Vitello Tonnato, carne de vitelo assada fria, molho cremoso, tipo uma maionese, e filé de atum por cima, tudo em camadinhas, lindo de ver.  Esse para completar, ainda tinha avelã na composição, pois era época de colheita e bem característico da região.  

Acho que esse prato foi a sensação de umani que tanto falam, a textura do vitelo, a firmeza do atum e creme envolvendo eles, além da crocância e docura do avelã. O espumante combinou perfeitamente, parecia um para o outro.

Quando nem percebemos, estavamos com novas taças na mesa para iniciar o serviço do vinho tinto. Como restaurante moderno, fomos surpreendidos por um corte com uvas locais e castas internacionais, composto por Barbera, Nebiollo, Cabernet Sauvignon e Merlot da região do Piemonte, elegante para acompanhar a Cipolla cotta al forno con salsiccia di Bra, amaretti e fonduta, que nada mais é que cebola recheada com linguiça di Bra (uma DOC de linguiça de carne bovina e bacon), amêndoas e fondata de queijo gratinado. Escrevendo e lendo já deu água na boca, e vendo essa imagem então..


Eu poderia morar nesse prato. Sério! Fui lembrando que ainda nem haviam servido o Barolinho, então pensei que ainda tinha muita coisa para vir.  Acabou as entradas e foi hora do primo piato, um agnoline recheado com seirass (ricotta piemontesa), manteiga e tomilho, simples e delicado. Coisas que as denominações de origem fazem, um simples produto ter um sabor diferenciado e pronunciado, devido ao local e aos métodos de produção.


Nossa sorte que eram apenas cinco agnolini, porque essa sequencia de pratos mais o vinho, a saciedade já era presente.

Conversas à parte, voltou o ballet dos garçons: taças novas na mesa, sommelier se aproximando, todos a postos e abrindo alas para o Barolo 2009.  Teve apresentação do vinho e tudo.


Para acompanhar o astro do almoço, um prato à altura e bem típico do Piemonte: bochecha empanhada no grissini, servido de mossoline de batatas e emulsão de avelã. Para mim, foi uma releitura do bife à milanesa com purê de batatas e maionese, bem brasileiro, e igualmente saboroso.


Mais uma taça de Barolo, por favor? Gosto de finalizar com um pouco mais de vinho para limpar bem o paladar e ficar com o sabor do vinho no final. 

Vocês achavam que terminou por aqui? Pois não, ainda tinha sobremesa harmonizada. De principal, tivemos torta de ginduia com sorvete de creme e um canudinho de chocolate amargo, com uma textura incrivel.  Para acompanhar, o melhor Moscato D'Asti do Piemonte, segundo Robert Parker, quem sou eu para desmentir isso!  Não sou de bebida doce, mas esse era de aromas elegantes e uma acidez bem pronunciada, o que não ficava com aquele fim adocidado e enjoativo no final.

Gravem esse moscato, vai que queiram conhecer o gosto do Parker.


Para continar degustando, ainda veio um docinhos a mais. Para finalizar, com direito a merengue, foundant de chocolate e profiterolis.


Quando achava que já tinha comido e bebido de tudo, foi quando o Sommelier chegou na mesa, com um sorriso no rosto e perguntou se gostaríamos de conhecer a adega do restaurante. Nem processei a pergunta e eu já estava de pé rindo sozinha.

A escada é no meio do restaurante, e tem as recomendações, que não pode andar sozinho, apenas onde o sommelier estiver.  Acho que a rigidez se torna necessário pois, ao entrar, já nos deparamos com as garrafas grandes, jeroboam de três litros, mathusalém (6 litros) e nabucodonossor de 15 litros eram mato, pra onde tu olhava tinha e ele brinca: deixamos essas mais próximas da porta porquê são mais pesadas e nos facilita.


É uma coisa que não tem explicação, além de não ser tão comum ver essas garrafas, ainda era de grandes vinhos!

Sassicaia, Gaia, Château d'Yquem tem de todas as safras e tamanhos.  É de cair o queixo as raridades que tem nessa adega! É de surpreender.


Se a experiência valeu a pena? E como! Os pratos, os vinhos e a adega, não necessariamente nessa ordem! E por fim, namore com alguém que te olhe como a Nati olha para a Mathusalen de Sassicaia.

LA CIAU DEL TORNAVENTO
Endereço: Piazza Baracco, 7, 12050, em Treiso (CN), na Italia
Horário de funcionamento: de sexta a terça, das 12h30 às 14h30 e das 19h30 às 22h15.
Reservas: precisa fazer antes, pelo site: https://www.laciaudeltornavento.it/it/prenota
Telefone: +39 0173 638333

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Se você gosta de comer e beber bem, e de falar sobre isso, vai gostar também do nosso podcast. O Foodcast é um papo descontraído da equipe de Destemperados sobre gastronomia, dá o play aí!

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