05/02/2014

Meu primeiro encontro com o Sambô SushiRS

Diogo Carvalho

Mesmo depois de tanto tempo, ainda acho genial sentir aquele friozinho na barriga logo após decidir conhecer um lugar novo na cidade. Aquele mesmo friozinho que a gente sente quando bate olho com olho de alguém especial no meio de uma multidão, aquele mesmo arrepio do primeiro beijo. E acho que é isso que me move, é isso que mantém ativa a minha curiosidade por buscar lugares legais e visitar novidades. Esse friozinho na barriga, do inesperado, do incerto, um voo cego. 

Seria muito mais fácil e cômodo seguir frequentando sempre os mesmos lugares. Sabendo exatamente onde estacionar, o que pedir, onde sentar, quanto pagar. Praticamente um roteiro com começo, meio e fim absolutamente previsíveis. Não sou assim, não consigo domar o desespero de ir em busca daquele calafrio. 

Foi isso que me levou ao Sambô Sushi, um lugar com nome de uma banda que eu acho das mais sapatênis da história, das mais torre de chope no shopping da história, das mais tirar foto com iPad da história, mas enfim. Pelo menos é uma chance que eu tinha de japfood fora da minha zona de conforto. Gostei do que vi logo no início. Nem me refiro às questões arquitetônicas, que se tivesse que defini-las, diria que fica em algum ponto entre o Caminito em Buenos Aires e um barracão de escola de samba do Rio. 

Mas me refiro ao movimento que encontrei. Do fundo do coração, fico muito muito muito feliz quando vejo uma aceitação tão imediata como essa. Em plena terça-feira à noite, num mês de férias escolares e próximo das dez da noite, precisei esperar quase 30 minutos por uma mesa. E não fiquei chateado, muito pelo contrário. Acho isso ótimo, porque mostra que a cidade pede por novidade. Meu único desapontamento foi que queria ter ficado na rua como essa galera aí, mas não deu.  

Ficamos na parte de dentro, que também é bem legal. Acontece que não consigo ver um espaço ao ar livre que já fico todo pimpão, já que este é um artigo em extinção em Porto Alegre, infelizmente. Inclusive, uma salva de palmas para o ar livre porque ele merece! 

Tudo muito legal, um ótimo ar-condicionado e apesar do overbooking, o atendimento foi sempre bem eficiente e simpático, mesmo sendo eu um dos caras que mais faz pergunta e exige um grau de paciência acima do normal. 

Vamos abrir os trabalhos? Sim, vamos. Tava seco por uma cerveja, mas assim, seco mesmo. Tive a companhia do Vico, que jamais me deixou na mão. As gurias pediram mojito, e também ficaram bem satisfeitas, até mesmo porque tava com toda a cara de ter sido feito segundo a receita clássica cubana, com limão, rum e club soda. 

Antes de começar a falar dos pratos, queria abrir um parêntese e dizer que (não tenho nada com isso, mas) uma coisa que me incomoda muito é jogo americano cheio de patrocínio. Tudo bem, as casas têm que rentabilizar suas operações, mas para o cliente, a sensação que se tem é de estar comendo em cima dos Classificados. E o pior é que é impossível fingir que eles não estão ali. Parece a camisa do Vasco, saca? Enfim, comi em cima de uma camisa do Vasco (nada contra o Vascão viu!) uma porção de shiitake e shimeji com camarão na chapa. Nunca sei qual é qual (fora o camarão, né). 

Logo depois, spring rolls pra testar a massinha da casa. Bem boa. Fininha e crocante sem ser muito gordurenta. 

Depois, para entrar começar a falar sério mesmo, pedimos uma porção de shake-ebi. Ebi é camarão. Aprendi esses tempos. Shake deve ser salmão. Ou não, sei lá. 

Estávamos em quatro, então sugeri que depois desse warm up, provássemos dois caminhos diferentes: a degustação Sambô e um combinado Maravilha. Assim daria pra ter um overview bem legal da casa. A degustação Sambô começa com esses dois temakis DIY

Depois passa por uma mini salada que de mini não tinha nada porque saca só o tamanho desse camarãozão. Por sinal, ele que tinha tudo pra ser coadjuvante virou um dos grandes protagonistas da noite. 

Aí pra fechar veio uma sessão com sashimis, niguiris, uramakis e etc. Tudo muito adequado. Nada assim de chorar, como o camarãozão. Mas tudo bem delicioso. 

O outro centroavante da noite foi o combinado Maravilha, que me ganhou graças às suas 55 peças. O que me mostra como estou velho, porque se tem uma coisa que eu fazia com a naturalidade de um sei-lá-o-que era devorar um combo desses em três minutos. E sempre deixo os hossomakis (aqueles pretinhos da alga ao redor ali embaixo) por último, porque são sempre os que me despertam menos interesse. 

Sobremesa? Tenho uma teoria sobre restaurantes asiáticos de uma forma geral. Não vou nem me restringir aos japoneses. Sobremesa é inimiga do restaurante asiático. Ou fica naquela de banana caramelada com sorvete de creme que me dá muita raiva, ou então aquelas doces asiáticos que de doce não têm nada. Sempre driblo esse problema pedindo um hot philadelphia, porque aqui é caveira amigo! 

Pra isso que eu vivo, pra sentir esse frio na barriga e logo após, aquele outro sentimento de dever cumprido por achar mais um lugar legal na cidade. Tudo isso por 80 reais por pessoa. Pena não poder voltar com mais frequência, já que meu instinto certamente me levará a um destino diferente, ainda incerto, buscando o inesperado. 

Sambô Sushi
Rua Fernandes Vieira, 502 - Bom Fim
Porto Alegre/RS
Fone: (51) 3095-0188
Aceita todos os cartões
www.sambosushi.com.br

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