08/11/2012

O Bistrô Varanda é uma casa portuguesa, com certeza!SC

Michele Xavier

Por mais que possamos odiar ou estar cansados dos clichês, eles trazem importantes definições sobre determinado locais, como o samba no Brasil, o tango na Argentina e o fado em Portugal. Claro que as referências musicais desses países não se limitam a isso e talvez hoje o Brasil, por exemplo, seja mais reconhecido no exterior pela bossa nova do que pelo samba. Nem por isso esses estilos musicais deixam de representar parte importante de cada uma dessas culturas. Por isso a referência no título deste post ao fado uma casa portuguesa, de Amália Rodrigues. Afinal, o Bistrô Varanda pode muito bem ser explicado por ela: Numa casa portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa. E se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co'a gente.

Esse, pois, o clima para quem chega nesse restaurante com influências portuguesas: casa simples, aconchegante, comida de qualidade e atendimento exemplar. Este último, aliás, há de ser destacado. Embora se trate de serviço primordial em qualquer restaurante, Floripa tem sérias deficiências na área. Por essa razão, quando encontramos um local em que o pedido vem correto e ágil, além de o garçom ser atencioso, explicando o sistema da casa e os pratos, o primeiro ponto positivo da casa já está ganho.

Eu passei diversas vezes pela rua movimentada do bairro Córrego Grande até perceber que ali havia um bistrô, pois mesmo com uma enorme placa na fachada, o local é tão discreto e integrado ao ambiente que pode ser ignorado pelos mais desatentos. Demorei outro tanto para ir conhecer a casa e agora, com visita cumprida e post feito, pergunto-me por que permiti lapso tão grande.

No cardápio, por certo, não poderia faltar o bacalhau, sob pena de não aceitarmos o rótulo de restaurante português. Nem por isso se limita a isso e, por mais que minha mesa tenha optado por dois pratos com essa iguaria, ambos particularmente espetaculares, a carne vermelha eleita para o terceiro deu banho em muitas encontradas em casas específicas na ilha. Para iniciar os trabalhos, uma salada – simples, mas com um molho delicioso – e um clássico pastel de bacalhau. Quando o pastel não poupa no recheio, você pode ter certeza de que os pratos não terão apenas uma mera lembrança do peixe, como infelizmente ocorre em alguns locais.

O prato que realmente me arrancou os maiores suspiros foi o Bacalhau à Brás, consistente em lascas de bacalhau de ótima qualidade, cebola, um creme de ovos batidos, azeitonas pretas e batata palha, com uma ida rápida ao forno para cozinhar o creme. Muito embora o prato possa parecer pequeno na foto, garanto que o marido, com seus 2,05m, encerrou-o com certa dificuldade. Mas não podemos reclamar, pois avisados pelo garçom que, apesar de se tratarem de pratos individuais, serviam muito bem.

O segundo prato, eleito pelo amigo Daniel, foi o Bacalhau à Gomes de Sá. Segundo definição do próprio: "pata que o parao!" (nada de palavrões por aqui, crianças). Formado por lascas de bacalhau, pedaços de batata, cebola, azeitonas pretas e, meus amores, ovos cozidos. Como sempre, o bacalhau não é economizado e sua qualidade pode ser percebida já no aroma. Claro que, com tanta qualidade nos ingredientes, o azeite não poderia ser qualquer um. No caso, um português – também na mesa, para ser abusado pelos clientes - que completava a sinfonia de sabores e dançava com suavidade em cada uma das papilas gustativas. Mais uma vez, prato caprichado na quantidade.

Eu fui na carne, pensando que os leitores gostariam, no mínimo, de uma fotografia de outro ingrediente do cardápio da casa: filé mignon ao molho de fungi porcini com batata rösti. Não posso dizer que me arrependi, mas a casa é portuguesa e, portanto, o bacalhau, até por ser a primeira visita, deveria ser a escolha. Como os pratos, contudo, eram muito fartos, pude me deleitar nos dos companheiros de jantar. Difícil ficou encerrar o meu depois de tantas furtadinhas. Felizmente, com a ajuda dos universitários, foi possível até mesmo guardar um espaço para a sobremesa.

No cardápio de sobremesas você encontra diversos doces que não são tipicamente portugueses e, tendo em conta a qualidade de tudo o que foi consumido na casa, por certo que igualmente saborosos. Mas eu já havia fugido do tema no prato principal, então não poderia fazê-lo na sobremesa, até porque se enquadram, perfeitamente, na categoria de comfort food, remetendo a minha cidade natal e seus doces nacionalmente famosos.

Para não sermos vencidos pela indecisão ou brigas pelo pastel eleito, um de cada para agradar todos os paladares. Detalhe ao fato de uma das iguarias ser chamada de pastel de nata e não pastel de Belém. É que, assim como ocorre com o champagne, da segunda forma pode ser chamado apenas aquele feito na região de Belém (ou pagando royalties). Mas quem provou o do Bistrô Varanda e já teve a chance de fazer o mesmo em Portugal, disse que o daqui não deixa nada a desejar. Eu, apesar de não ser uma dessas sortudas, posso apenas garantir que era muito bom. Para acompanhar, um delicioso vinho do Porto.

A casa abre de terça a sábado para o jantar e de terça a domingo para almoço, sendo este por quilo. Mesmo nesta modalidade, o bacalhau se faz presente e, apesar de não ter ido nesse horário, acredito que igualmente saborosa a comida, até porque a proprietária e chef Amélia continua sendo a mesma.

Saímos de lá com vontade de percorrer a pé os 2 km que nos levam até em casa, pois os buchinhos estavam próximos de estourar com tanta comida. Mas absolutamente satisfeitos por cada um dos pedidos feitos e com o preço camarada de menos de 70 dilmas por pessoa, incluindo bebidas e sobremesa.

Bistrô Varanda
Rua João Pio Duarte Silva, 1197 - Córrego Grande
Florianópolis / SC
Fone: (48) 3025-2166
www.fb.com/bistrovaranda

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