12/11/2012

O Caneco Gelado do MarioRJ

Pedro Curi

A cerveja pode não ser mais servida nas canecas de alumínio que deram nome ao lugar, a entrada não é mais pelo balcão que fica virado para a rua e as paredes não costumavam ser cobertas com imagens do fundo do mar e outras peças de decoração curiosas. O lugar cresceu, sem dúvidas, mas quem vai ao Caneco Gelado do Mario ainda encontra muito do que fez o lugar se tornar uma referência de boa comida em Niterói. Ali, na Marques de Caxias, quase esquina com a Visconde do Uruguai.

Essa esquina, inclusive, é uma das minhas maiores lembranças do lugar – e uma das principais referências para chegar lá ou indicar o caminho. Quando era criança e ia ao Caneco com meus pais, ficava na esquina, parado, olhando para o painel no alto da loja e para as imagens na porta. Cheguei a sonhar com aquilo algumas vezes.

Lembro também que ficava muito animado quando, em um sábado qualquer, meus pais anunciavam que íamos ao Caneco. Não eram datas especiais, mas eram sábados. Mais tarde entendi que aqueles sábados eram especiais porque o restaurante não abre aos domingos. Mas, mesmo aos sábados, era preciso chegar cedo. O centro de Niterói quase não tem movimento nos finais de semana, mas, ali, na frente do Caneco, as mesas tomavam conta da calçada e as pessoas faziam fila para entrar. Taí uma coisa que não mudou.

Quando comecei a andar sozinho pelo centro da cidade, o Caneco Gelado do Mario foi um dos lugares que serviam de referência para me localizar – e uma parada obrigatória para comer um bolinho de bacalhau no balcão virado para a rua e ainda levar um quilo de massa pronta para fritar de presente para o pessoal de casa.

 O Caneco não é um dos restaurantes que mais frequento, mas, aos poucos, se tornou um lugar para onde gosto de levar os amigos que vêm de fora – mesmo que esse “de fora” seja o outro lado da Baía de Guanabara. E foi assim que, no último sábado, fui parar lá com amigos que tinham vindo à cidade para uma visita. Apesar de termos chegado depois de uma da tarde, não tivemos de esperar muito para entrar.

Sentamos na área externa, no fundo do restaurante, uma novidade relativamente recente se levarmos em conta os mais de 40 anos do Caneco.

Eu devo ter acompanhado pouco mais da metade desse tempo, mas ainda assim, vi, ao longo dos anos, as paredes ganharem cores, enfeites e quadros com prêmios.

Mas uma coisa não mudou: cheguei lá com fome. Assim como os meus amigos, que também deviam estar loucos para que eu deixasse a nostalgia de lado e pedisse logo as entradas.

Pedimos pasteis de siri, pasteis de camarão, bolinhos de aipim com camarão e, claro, os bolinhos de bacalhau. Eles são servidos por unidade, então cada um escolheu com o que gostaria de começar.

Abri a refeição com um pastel de siri. A massa, mais próxima de um pastel de forno, estava sequinha e crocante nas bordas, e o recheio, generoso e molhadinho.

Experimentar uma massa diferente do pastel para mostrar variedade me pareceu uma boa desculpa para pedir o bolinho de aipim com camarão. Leve, saboroso e recheado com camarões inteiros, sem enrolação. Acompanhado pelo molho de pimenta com ervas da casa ficou ainda melhor.

Deixei o bolinho de bacalhau por último. Não importa quantas vezes eu coma, sempre fico com medo de que não esteja a mesma coisa. No entanto, a primeira mordida é geralmente seguida por um sorriso e pelo suspiro daqueles que estão experimentando pela primeira vez.

Passados os gemidos – por ora – chegou à mesa o arroz de frutos do mar que havíamos pedido. Uma panela de barro transbordando e exibindo com orgulho anéis de lula, pedaços de peixe, camarões, tentáculos de polvo perfeitamente cozidos e até mesmo um siri

Isso tudo borbulhando e causando quase o mesmo efeito na boca de todos que estavam na mesa. Chega mais! 

O cardápio indica o arroz para duas pessoas, mas serviu quatro sem problemas e deixou todos muito satisfeitos a ponto de querer pular a sobremesa, pagar a conta de mais ou menos 50 reais para cada um e arrumar um jeito rápido de ir para casa dar um jeito naquele sono que boas refeições podem proporcionar.

O Coneco Gelado do Mario cresceu. Há mais mesas, mais gente e às vezes parece que a estrutura da cozinha e de garçons não dá conta da demanda. O serviço talvez demore um pouco mais e o preço da cerveja também pode estar mais alto. Mas saí de lá com aquele sorriso no rosto. O mesmo sorriso que surge a cada primeira mordida no bolinho de bacalhau.

Caneco Gelado do Mario
Rua Marquês de Caxias, lojas 5 e 6
Niterói/RJ
Fone: (21) 2620.6787
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