02/08/2016

O Mugui e a sua comida de batchanSP

Felipe Sakai

Geralmente para as pessoas que moram ou vem visitar São Paulo, a Liberdade torna-se um destino que acaba fazendo parte da programação paulistana, um mix de cultura e gastronomia que ali permeia vira parada obrigatória e dentre as dezenas de opções para se comer bem lá, está o Mugui aquecendo corações e paladares. Localizado em um prédio antigo e de fachada duvidosa, você vai encontrar alguns dos clássicos restaurantes que têm uma cozinha japonesa tradicional e de respeito, sem falar deliciosa, sobre a qual ainda vou escrever nas próximas linhas.

E ao entrar no pequeno prédio despretensioso, você logo dará de cara com esse quadro, sinalizando onde está cada restaurante nos poucos andares do local.

Assim como o prédio em si, o Mugui também não têm uma fachada grandiosa. Com uma porta de correr, clássica dos antigos restaurantes japoneses e um banner com fotos de algumas de suas (muitas) especialidades. Quando cheguei, a casa ainda estava fechada, essa, inclusive, é uma boa dica, chegar um pouco antes já que a espera por mesas geralmente é concorrida.

Já dentro do salão, não espere cenografias elaboradas, um bar no meio que atende todos os pedidos de bebidas e rodeado de mesinhas e cadeiras de madeira é o que te espera lá para uma refeição.

Se estiver com pressa, sentar no balcão também é uma boa opção, embora esse lugar também seja almejado pelos clientes.

Para beber, em um dia frio, fomos de chá, que aqueceu até a alma na ocasião e ainda por cima é cortesia da casa. 

A fome, que era grande, batia forte e por isso começamos a atacar algumas entradas. Primeiro esse shimeji com verduras refogadas, que só achei um pouco condimentado demais, muito salgado.

Mas que mesmo com um pouco de sódio a mais, não posso negar que as verduras refogadas ainda estavam crocantes e juntamente com o shimeji ambos estavam muito fresquinhos.

E para complementar o aquecimento, pedimos também um harumaki de verduras. Bem, sobre isso, sem muita resenha aqui, apenas crocante e com o recheio bem fresco.

Depois de dar aquela alongada no maxilar com essas entradinhas, era a hora de começar a mastigar de verdade. Espiando algumas mesas observamos que alguns pratos eram uma pedida unânime, um deles era o Teishoku de Carne com Brócolis. Uma porção generosa de “mistura”, acompanhada de Gohan, sunomono e missoshiru.

A carne vem em pedacinhos bem delicados, com brócolis frescos e um molho que exala um aroma maravilhoso. Sério, é o tipo de prato que só pode ser executado por uma batchan (tradução do japonês: vovó) de alguém, que é simples, mas têm alma, que você come com prazer e sai com o estômago e até com o coração satisfeito do restaurante.

E por nenhuma coincidência, se você olhar para a cozinha do Mugui, verá um monte delas, as batchans, quebrando tudo entre um wok, chapa, hashi, panela de arroz e etc. Um missoshiru assim, com tofus cortados em mini cubinhos, não seria algo que a sua vó prepararia para ti? Pois é, a diferença é que algumas delas se terceirizam para a cozinha do Mugui.

Não podia sair daqui sem dar ênfase ao Gohan, eu, um ligeiro viciado no arroz japonês, posso garantir que lá vocês serão felizes comendo o clássico Gohan.

Pedimos também um Teishoku de Niku Domburi, que na minha opinião, foi o melhor prato que provei naquela noite fria. A carne fatiada finíssima, junto com um molho levemente adocicado (lembra o do Sukiyaki, entendedores entenderão), com cebolinha, cebola e pedaços dessa massa de peixe bicolor que agora me fugiu o nome. De acompanhamentos, mesmo esquema, Gohan, sumonomo e misoshiru. Adicione Gohan e coma kilos.

E dentre os clássicos, uma surpresa, ou até ousadia (já que se trata de uma casa tradiça). Pedimos o chamado Yakiudon, que pela composição do prato é um mix de Yakissoba e Udon. É a forma de fazer yakissoba, porém, com os ingredientes do udon e o resultando disso é bom demais! A foto, não é a mais favorável, mas mesmo não sendo ensopado, tinha sabor em cada um dos ingredientes. O shitake e a cebola presentes no prato estão ali para agregar e o macarrão apesar de grosso, cai leve no paladar. Vale ir até a Liberdade, até o Mugui, só para provar o Yakiudon deles.

Pedimos também o lamen da casa, e se considerar o meu vasto currículo nas casas especializadas no prato aqui em Sampa, posso dizer com propriedade que o do Mugui é ótimo! O macarrão super leve, fatias de carne de porco explodindo de tão saborosas, o caldo quente como deve ser e mais puxado pro óleo de gergelim (me gusta mucho). 

A cebolinha recém-cortada, fresquinha colocada em cima faz a diferença e não preciso nem pontuar esse caldo que até brilha.

Outra ótima pedida é um Tempura Udon, que vem o macarão ensopado e o tempura a parte.  A porção de tempura é farta, com massa crocante e os legumes frescos.

O molho que acompanha o tempura, um mix de shoyu, nabo ralado, cebolinhas e gengibre, deixa o que já é bom ainda melhor!

Sobre o udon, o macarrão é grosso e pesado, o caldo (muito) quente e delicioso. Com certeza um prato feito para o inverno, feito para encher a barriga, "sustância"! Depois de muita ação de maxilar, muita fartura e muito umami, a conta deu um total de R$ 232,50 que divido por pessoa (06 no total) dá R$ 38,75. Sem direito a cafezinho ou sobremesa por falta de espaço físico no estômago de todos.  

MUGUI
Rua da Glória, 111
Liberdade - São Paulo – SP
Telefone: (11) 3106-8260
Site: não tem website.
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