24/06/2008

Por Dentro do Mercado Público e do GambrinusRS

Diogo Carvalho
A minha mãe vive dizendo que a primeira coisa que devemos fazer ao chegar numa cidade portuária é ir direto ao respectivo Mercado Público. Ali, tem-se uma idéia dos aromas, sabores e delícias que a cidade nos oferece. Fiz isso uma vez só, em Santiago do Chile. E o meu próprio mercado eu desconhecia. What a shame... Uma boa desculpa pra isso foi um almoço no Gambrinus, um restaurante português tradicionalíssimo que só não é mais velho que o Mercado.O Gambrinus, nascido há mais de 118 anos, tem duas entradas: uma por dentro do mercado (foto acima), com uma mesinhas bem legais mas que ficaram completamente inutilizadas em função dos 5 graus que fazia; e outra pela Praça XV (foto abaixo).O lugar é praticamente um museu. Tudo muito antigo e preservado. Grande parte do público frequentador possivelmente está ali há coisa de 118 anos também. Mas, inegavelmente, são pessoas de bom gosto, tanto é que não abrem mão da boa comida do Gambrinus.Bueno, sentei. Depois da insistência dos meus pais e da Rê, que queriam de uma vez por todas decidir o que pediríamos. Eu confesso que a minha barriga já implorava por uma decisão urgente também.Eis que surgiu mais um momento de distração. Pô, quem de vocês não teria a atenção desviada ao ver uma cadeira pendurada na parede? Pra mim, aquilo era só uma cadeira doada por algum personagem da noite, tempos atrás. Mas pros meus pais, tratava-se da cadeira do Chico Alves, um cara que "era tão famoso quanto a Carmen Miranda, só que ao contrário dela, não foi fazer fama nos EUA". Em outras palavras, era o Roberto Carlos do século 19 (o cara nasceu em 1898, um pouco depois que o Gambrinus, portanto).Tá, histórias à parte, vamos ao que fez do Gambrinus o que ele é hoje: as iguarias portuguesas - com certeza. Uma porção de bolinhos de bacalhau pra começar. Ô maravilha!Um bacalhauzinho à Gomes de Sá também vai bem, né? E com um azeitezinho de oliva em cima então, dá aquele toque especial.A minha mãe chegou lá com um desejo incontrolável de comer mocotó. Taí uma coisa que eu não encaro. Respeito, e inclusive suporto sentar na mesma mesa que um prato desses. Sem olhar pra ele. Mas fico. Ela adora. Tanto é que chamou no replay. Cada um com os seus problemas.Sou mais a trilogia de peixes (côngrio, salmão e linguado) que o meu pai, a Rê e eu dividimos. Um melhor do que o outro. Mas uma salva de palmas especial para o linguado, que foi o mais fora-de-série mesmo.Me lembro que essa fartura toda foi regada por um bom vinho português (não poderia ser diferente), mas que agora não me ocorre sua "raça". Era muito bom. Bom mesmo. Como tudo na mesa (fora o mocotó, que eu não quero falar dele).Essa quase-viagem a Portugal na companhia dessas maravilhas todas saiu uns 60 reais por pessoa. E o pior que nem posso culpar o mocotó pelo preço, que na verdade foi o prato mais barato dentre todos eles. .

Gambrinus 
Av. Borges de Medeiros, 85 - Mercado Público 
Centro - Porto Alegre/RS 
Fone: (51) 3226.6914 
www.gambrinus.com.br

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