08/11/2019

Portugal e Espanha: diário de viagem pelas regiões produtoras de vinhosFree Pass

Diogo Carvalho

Passamos alguns dias visitando vinícolas e restaurantes localizados em regiões produtoras de vinho em Portugal e na Espanha.

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CHEGADA AO ALENTEJO, PORTUGAL

A viagem é uma barbada, a gente embarca na Farrapos e acorda na Europa. Com o fuso horário, chegamos justo para almoçar, olha que timing. Dava para dar um giro rápido por Lisboa, ou já tocar a viagem, que foi o que fizemos. Uma hora e meia depois, em uma estrada absolutamente tranquila, chegamos a Reguengos de Monsaraz, no Alentejo. Não tem erro, basta seguir o caminho dos sobreiros, árvores cujas cascas dão origem às rolhas.

Gosto da sensação de estar em um lugar pela primeira vez e não saber muito o que esperar. Cidadezinha pacata, só senhorinhas e senhorzinhos vagando lentamente pelas ruas vazias, seguindo o badalo dos sinos da igreja.

É lá que fica a Carmin, uma das maiores produtoras de vinhos de Portugal. A cidade toda praticamente gira em torno da vinícola, tamanha a potência. A expectativa em conhecê-la foi atingida com sucesso, principalmente, porque saí de lá falando o nome de uvas que nem sabia que existiam, como Trincadeira, Antão Vaz, Castelão e Aragonez.

Sou muito grato ao Alentejo por ter me apresentado também o Porco Preto Alentejano, uma raça conhecida por ter marmoreio, textura e sabor peculiares. Se realmente é uma coisa fora de série, não consigo dizer. Mas saboreá-lo em um “restaurantinho” no alto do Castelo de Monsaraz, durante o pôr do sol, tornou-se uma das coisas mais fantásticas que já provei na vida.

OS VINHOS ALENTEJANOS
O dia seguinte foi dedicado para conhecer um outro conceito bem diferente de vinhos alentejanos. Enquanto a Carmin produz em uma escala de gente grande, a João Portugal Ramos caracteriza-se por engarrafar vinhos absolutamente premium. Também pudera, eu faria o mesmo se fosse o João Portugal: no caso de ter uma vinícola que levasse meu nome, só produziria coisas realmente inquestionáveis!

O lugar é um sonho, parece uma antiga fazenda. A impressão que dá é de que os caras realmente moram lá. Facilita bastante a relação familiar que a marca pretende transmitir às pessoas. Foi lá que degustamos algumas das melhores criações deles, harmonizando com queijo de ovelha e presunto de porco preto.

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PASSEIO DA REGIÃO DO AVEIRO
Nosso próximo trecho da viagem tinha o objetivo de visitar uma das figuras mais icônicas de Portugal, o Seu Messias. Ele mora em Mealhada, região de Aveiro, em uma cidadezinha bem da terceira idade por ser conhecida pelas suas águas termais. É lá que fica, também, a famosa Caves Messias, responsável pela produção dos vinhos do Porto mais famosos do mundo.

O passeio foi um dos mais impactantes, principalmente porque a parte subterrânea se mantém idêntica à época em que foi construída, no ano de 1926. É uma viagem no tempo e na história.

REGIÃO DO ALTO MINHO
Três castelos depois (Monsaraz, Estremoz e Luso), pegamos a estrada rumo ao norte, para a região do Alto Minho
chamada Monção. Trajeto lindo, passamos por cima do Douro e vimos de longe a cidade do Porto. O destino era visitar os amigos da Provam (Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção), vinícola constituída por 10 famílias
diferentes, responsáveis por fazer o vinho verde preferido dos grandes especialistas, chamado Portal do Fidalgo.

Voto com eles, portanto. Foi uma das degustações de que mais gostei durante a viagem, principalmente porque ela foi precedida por um passeio incrível pelo Rio Minho, fronteira entre Portugal e Espanha. Ou seja, de um lado, Alto do Minho, e do outro, a Galícia. Sabe o que é melhor? De um lado Alvarinho, do outro, “Albariño”. Para os amantes de vinho branco, assim como eu, é o que chamamos de paraíso!

CRUZAMOS A FRONTEIRA COM A ESPANHA, PONTEVEDRA
No dia seguinte, cruzamos definitivamente o rio para conhecer a vinícola boutique Chan de Rosas, localizada em Pontevedra, Rías Baixas.

Ela é tocada por um dos enólogos mais famosos da Espanha, o Marcos Lojo. O solo granítico e o clima atlântico de Pontevedra fazem com que os vinhos sejam ideais para acompanhar frutos do mar. Ou “los bichos”, como eles chamam. Assim foi nosso menu do almoço, servido na varanda da própria vinícola, composto por “almejas”, “navallas”, “mejillones” e “percebes” – este último, um crustáceo bem estranho e raro que parece a pata de um dinossauro.

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LA RIOJA
O último trecho da viagem foi para conhecer La Rioja. Ficamos em Logroño, uma cidadezinha incrível que faz fronteira com o País Basco. Por isso que ela pulsa diferente das demais, em função da sua influência gastronômica, e por estar no meio do caminho de Santiago de Compostela.

Lá, conhecemos a Marqués de Tomares, uma das bodegas mais celebradas da Espanha e que é atualmente a queridinha dos grandes bebedores de vinhos. Evidentemente que muito disso é em função da sua qualidade, mas também pela simpatia do seu proprietário, o Oscar Montaña. Ele é uma personalidade na cidade, um cara querido desse mundo do vinho.

Depois de provarmos quase todos os rótulos dele, almoçamos em um restaurante famoso da região, chamado Mesón El Pastor, em Aranda del Duero, onde servem uma das iguarias mais conhecidas de lá, o “lechazo”. Trata-se de um cordeirinho feito lentamente no forno a lenha, digno de estrela Michelin.

A farra foi grande, por isso, o programa da noite não poderia ser nada diferente do que destrinchar os principais barzinhos da cidade em busca da tapa perfeita. Batemos perna em tanta ruelinha que a impressão que tive é de
que caminhávamos em volta de nós mesmos. Mas encontramos a melhor de todas: “la tapa de champis”, um “champignonzão” com bastante azeite e alho, com um camarãozinho espetado na ponta, em uma fatia de pão.

Nesse momento, percebi que estava participando de uma maratona, porque os dias começavam cedo, já com degustação, logo em seguida vinha o almoço. Quando chegava a sobremesa, já iniciava mais uma degustação. Quando o cara percebia, já era hora do happy hour (e é inadmissível não ter vinho). No jantar, mais uma degustação, encerrando sempre com uma caminhadinha digestiva pela cidade e uma última taça.

Completei a maratona com 42 vinhos. Esse é o meu esporte. Essa é a vida que eu queria!

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Se você gosta de comer e beber bem, e de falar sobre isso, vai gostar também do nosso podcast. O Foodcast é um papo descontraído da equipe de Destemperados sobre gastronomia, dá o play aí!

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