27/12/2019

8 perguntas para o chef pâtissier Diego Andino

Anahís Vargas

O argentino Diego Andino comanda sua própria confeitaria, que leva seu nome, em Porto Alegre. Nesta época do ano, o chef pâtissier prepara a torta galesa, receita tradicional da Patagônia que promete realizar desejos e trazer sorte.

Qual a sua relação com as festas de fim de ano? Tem alguma lembrança?
Para ser honesto, não gosto muito de festas de final de ano (risos). Desde cedo trabalhei. Então, nunca tive muito tempo para tirar proveito deste período. Sobretudo agora, em que vivo uma época de intenso trabalho. Mas, lembro que, quando criança, aproveitava. Quando morava em Mendoza, o pinheiro de Natal tinha seis metros de altura. No Ano-Novo, meu pai nos levava às montanhas para soltar fogos de artifício.

O que não pode faltar na mesa da ceia da virada do ano?
Boa comida. Lentilha, que me acostumei a comer por conta da convivência com a cultura brasileira, arroz e frutas. Mas o que não pode faltar em qualquer mesa é paz e tranquilidade.

De onde surgiu a ideia de incluir a torta galesa no cardápio?
A origem dos galeses, que é muito forte na região sul da Argentina, em especial na Patagônia, se mistura com a minha própria história. Conheci uma família galesa que, na época do Natal, fazia a torta e a enterrava envolta em papel-alumínio, desejando coisas boas. No ano seguinte, desembrulhavam, e os desejos aconteciam. Como esta região é muito fria, a torta de fato se mantinha impecável. Os ingredientes auxiliam a manter a boa condição: as frutas secas, o açúcar mascavo e o licor do Porto ajudam no processo de conservação. Achei muito legal tudo isso e resolvi produzir a torta desejando a mulher da minha vida. No ano seguinte, estava no Brasil com ela. Desde então, nunca mais deixei de preparar essa receita.

Quais os ingredientes que a torta galesa leva?
É um bolo negro feito com especiarias. Vai manteiga, farinha, laranja, limão, baunilha, vinho do Porto, canela, ameixa, nozes, cravo e açúcar mascavo.

De onde você busca inspiração para a criação dos doces?
Na natureza, quando oxigeno a mente e busco minha tranquilidade interior. Gosto muito do mar e dos pássaros. Sou muito do contato com a terra. Minha família também me inspira. Tenho muitos irmãos e todos me apoiam. 

Como você chegou em Porto Alegre?
Desde jovem eu vinha para as praias gaúchas. Em um verão, conheci a Neca (esposa e companheira na confeitaria) e me “enamorei”. Anos mais tarde acabei a reencontrando e vim de vez.

O que você não come de jeito nenhum?
Geralmente gosto de tudo. Alguns ingredientes eu não como por cuidado. Não gosto de mondongo e de carne de porco. Porco não como mesmo!

Qual seria sua última refeição antes de morrer?
Um mix de frutas frescas com granola artesanal e açaí.

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