31/10/2019

8 perguntas para o enólogo Lucindo Copat

Anahís Vargas

O enólogo foi homenageado com o Troféu Vitis 2019, durante a 27ª Avaliação Nacional de Vinhos, em Bento Gonçalves. Lucindo Copat já passou por vinícolas como a Salton, onde trabalhou por mais de 30 anos.

Como foi receber o Troféu Vitis de 2019?
Foi uma grande surpresa e emoção. Fiquei orgulhoso de ter recebido. Tenho gratidão a muitas pessoas que, assim como eu, se doaram, trabalharam e se dedicaram para fazer o melhor pelo vinho brasileiro.

O que podemos esperar para a próxima safra?
Tivemos um inverno longo e rigoroso. Isso é muito importante para a acumulação de reservas na videira durante a hibernação. Certamente, essa performance vai se traduzir em frutos sadios e maduros, com uma bandeja de aromas de frutas e de flores, resultando em vinhos de qualidade.

Como você percebe o potencial dos vinhos brasileiros no mercado internacional?
Estão ganhando cada vez mais espaço. Seguramente, pela qualidade e pela tipicidade, não pelo seu preço, já que o mercado internacional é altamente competitivo. O crescimento não é exponencial, mas é muito sólido.

Você visualiza alguma tendência a curto ou a médio prazo no mercado de vinhos?
Os vinhos estão sempre em uma contínua tendência. É a busca por novos consumidores. O vinhos brancos deverão ser agradáveis, com aromas de flores e de frutas. Destaco, principalmente, as características dos rótulos varietais. Os tintos, além da explosão de aromas, deverão ter os taninos equilibrados, finos, macios e suculentos. A madeira, que faz parte de muitas bebidas, deve estar bem fundida, agregando qualidade.

Se você não fosse enólogo, o que seria?
Aprendi a tocar instrumento musical muito cedo. Aos 13 anos, na década de 1960, participava de uma banda. Fazíamos shows e reuniões dançantes em clubes. Meu sonho era ser músico. Neste meio não existia interesses, tudo era muito fraternal.

Quando iniciou o seu interesse pelo mundo da enologia?
Foi por pressão da minha família, principalmente, da minha mãe. Meus avós eram viticultores, fundadores de cooperativas de vinhos. Vivíamos em frente de uma vinícola. Eu ajudava meu pai a transportar a uva. Mas estava dando prioridade à música. Queria estudar algo ligado à natureza, agricultura, por isso, ingressei no Colégio de Viticultura e Enologia, em Bento Gonçalves. Para mim, estava tudo ligado: poesia, arte, música e vinho. Quando terminei o curso, me ofereceram uma bolsa de estudos para uma universidade em Mendoza.

Prefere varietal ou assemblage?
Quando você pergunta para um pai ou uma mãe qual é o seu filho preferido, seguro que não vão responder. Para mim é igual. O varietal expressa muito bem a sua personalidade e mantém a semelhança de sua característica. No caso do assemblage, a riqueza está em fazer cortes que se complementam, é a grande arte do enólogo. Um vinho inesquecível que provou. Foi único ter degustado safras ícones dos vinhos do Chateau Margaux, junto com o enólogo Paul Puntalier. Adoro também os Barolos e, com certeza, tenho muito amor e admiração pelos vinhos brasileiros.

Uma harmonização preferida.
Sou descendente de imigrantes italianos, portanto, gosto muito de carne de panela (brasato) com pasta, combinado com um vinho tinto encorpado, com bons taninos.

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Se você gosta de comer e beber bem, e de falar sobre isso, vai gostar também do nosso podcast. O Foodcast é um papo descontraído da equipe de Destemperados sobre gastronomia, dá o play aí!

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