09/08/2019

Claude Troisgros: de pai para filho e para o mundo

Victoria Campos

Já que no domingo é Dia dos Pais, nada mais justo do que trazer uma história que tem tudo a ver com a data. Conversamos com Claude Troisgros, pertencente à terceira geração de uma família que simboliza a união do amor e da gastronomia.

Você já ouviu falar no sobrenome Troisgros? Essa família francesa presenteou a todos que amam gastronomia. Além das experiências que eles trouxeram ao Brasil, aumentaram o nível de excelência da culinária mundial. Mais do que isso, mesmo com o sucesso incontestável e com a marca consolidada, não permitiram que suas obras gastronômicas ficassem estagnadas no tempo. Eles perpetuam o seu dom há quatro gerações e, para a nossa sorte, não têm previsão de parar por aí.

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Para contextualizar: Claude Troisgros é um renomado chef francês que veio para o Brasil há anos e foi um dos principais construtores da ponte entre a cozinha francesa e a brasileira. Mas, se um Troisgros já fez história, imagine vários deles. O chef faz parte da terceira geração da respeitada linhagem de cozinheiros, que teve início com seu avô, Jean Baptiste. Depois, seu pai, Pierre, junto do irmão, Jean, seguiram fazendo sucesso com as panelas, quebrando tabus e fortalecendo movimentos, como o da “Nouvelle Cuisine Française” – uma forma de cozinhar e de apresentar pratos típicos. Em seguida, Claude permaneceu reforçando o clã Troisgros – o que faz até hoje junto dos filhos Thomas e Carolina, que também atuam na área.

Como o Brasil entrou na rota da família? Em 1979, Claude fez as malas, pegou as colheres e se despediu da pequena cidade francesa de Roanne, próximo de Lyon, para se lançar em direção ao Rio de Janeiro. Chegou ao Brasil sem falar uma palavra em português, mas isso não foi empecilho para que ele desse início a uma trajetória de êxito. Hoje, a língua não é mais problema, embora os “erres” ainda entreguem o sotaque daquele que, com 40 anos de Brasil, sente-se um local (o que para gente é uma marravilha, né?).

Se você pensa que quase meio século de atividade foi o suficiente para Claude, está enganado. Ele quer mais e garante que, em 10 anos, ainda estará em plena forma e atuando no mercado gastronômico. Parafraseando um amigo, brinca: “Eu gosto do passado bem passado, do presente ao ponto e do futuro cru!”. E quem é a gente para discordar do chef?

No início do texto, lembramos que no fim de semana será Dia dos Pais e que, por isso, a história da dinastia Troisgros era pertinente. Isso porque a biografia da família se confunde várias vezes. No bom sentido, é claro, porque eles unem, a todo o momento, os pais, os filhos, as receitas e os saberes da gastronomia. Claude, por exemplo, trabalha ao lado dos dois primogênitos há mais de 10 anos. O Thomas é chef executivo do Grupo Troisgros (sim, eles são uma marca) e chef do Olympe, reconhecido restaurante carioca criado por Claude. Além disso, possui a T.T. Burger, um sucesso no segmento de hamburguerias. Já a Carolina é a responsável pelo marketing do grupo. É claro que ela também tem um pé, digo, uma mão, na cozinha, atuando na produção de bolos – feitos e vendidos com competência, garante o pai orgulhoso.

Quando questionado sobre o sentimento de ver a próxima geração seguindo os seus passos, ele se empolga:
– É uma felicidade extrema, principalmente porque ambos desempenham com maestria e competência as suas funções.

De novo: quem é a gente para discordar do chef? Que eles passam a gastronomia adiante, a gente já sabe – e, inclusive, comemoramos. Mas ser pai também é incentivar, estar presente, apoiar e, principalmente, participar da educação dos filhos. Quando perguntamos o que o Claude Troisgros, versão pai, ensina aos filhos e que não seja uma receita, ele não hesita e destaca o respeito à vida, ao próximo, aos sentimentos e ao culto da felicidade, mesmo em momentos de tristeza. O chef ainda diz que a família vive, a todo o momento, a gastronomia.
– Nosso dia a dia é a cozinha, tanto no bate-papo quanto no trabalho – comenta.

Não à toa que muita gente diz que esse cômodo da casa deve ser um dos lugares mais frequentados e amados. Porque é onde o alimento – a base de tudo – começa a ser preparado. Para a nossa sorte, o Brasil contabiliza sete operações sob o comando de Claude, nas quais ele trabalha insumos brasileiros com técnicas francesas. Todas estão no Rio de Janeiro: Le Blond, Olympe, Chez Claude, CT Brasserie, CT Boucherie e Atelier Troisgros.

Nas palavras de Claude, quando questionado se faria algo diferente em sua trajetória, a resposta é enfática:
– Não mudaria absolutamente nada, quero tudo igual.

CONSELHOS DE TROISGROS
Que Claude herdou do pai:
respeito ao produto e ao produtor.
De Claude como pai: respeito, liberdade e simplicidade.
De Claude como chef:
nunca ache que já sabe tudo, porque você não sabe nada. Você aprende todos os dias.

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