13/09/2018

Sabor Perdido | Diego Fabris

Diego Fabris

Ando muito nostálgico ultimamente. Semana passada, perdi meu avô. Além da saudade de conviver com ele e das lembranças de tantas coisas que fizemos juntos, me dei conta de que também perdi algo a mais. Perdi para sempre o sabor da ovelha que ele fazia. Perdi o aroma que ficava no ar a manhã toda enquanto a carne estava no tempero. Perdi o gosto ímpar da caipirinha que iniciava todos os almoços da casa da praia. Mesmo que alguém soubesse a receita e a seguisse à risca, o sabor nunca seria o mesmo.

No meio de tanta saudade lembrei que, há 20 anos, perdi a minha avó. E com ela também se foram as melhores rabanadas da minha vida, o brigadeirão que adoçava a família toda e até um molho de moela incrível. O carinho deles tornava cada prato único e inesquecível.

Esse sentimento de sabor perdido acontece também quando um restaurante fecha as portas. Até hoje, me sinto órfão do milk-shake de chocolate do Joe´s, que eu comia pendurado no balcão junto com um xis simples. Tenho boas lembranças do pato ao roquefort do Steinhaus, que vinha depois daquele couvert magistral.

Recordo com nostalgia da pizza de mozzarella da Doctor Inn que eu comia com meu pai no shopping. Queria provar de novo a entrada de vieira com dijon do Hashi e o fettucine com nero de seppia do Piegari de Punta.

Mais do que o sabor dos pratos, fica a saudade dos momentos vividos. Às vezes, a comida, por mais que fosse boa, virava até coadjuvante. Era o caso dos almoços na calçada aos finais de semana no Le Bistrot da Fernando Gomes, com o vento balançando as folhas das árvores acima da gente. Como era bom.

Quando lembro disso tudo, me pego com um sorriso no rosto. Queria viver tudo de novo. Mas as coisas acabam e precisamos seguir em frente. O sabor da saudade sempre vai ser o melhor sabor.